quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A dicotomia do tempo: passado/futuro. Em busca da segunda chance!


Finalizando a trilogia de textos a respeito do TEMPO. Neste artigo iremos falar sobre a dicotomia passado ou futuro. Entende-se que dicotomia é uma clara diferença entre opostos, por exemplo: luz/trevas, bem/mal ‒ que contém apenas dois termos categorizados.

Leia nossos outros dois textos sobre o TEMPO aqui e aqui.


Passado ou Futuro?

O homem sempre quis controlar o máximo de coisas ao seu derredor, não é mesmo? Algumas vezes ele tem sucesso, outras vezes com um custo a ser pago e outras vezes simplesmente não consegue.

Sempre foi uma fantasia humana controlar o tempo, viajar no tempo... Quem nunca sonhou com isso? Talvez isso seria parte de um esforço para alcançar a tão almejada imortalidade?

Com esse objetivo, o homem, pelo menos na ficção, construiu algumas máquinas que permitiam ir para o passado ou para o futuro. Houveram várias versões de máquinas do tempo e nós do Blog BTTF já escrevemos bons artigos falando sobre estes temas de "viagens no tempo & máquinas do tempo", basta dar uma olhada na lista de (alguns) links logo abaixo:


Podemos citar algumas das máquinas do tempo mais conhecidas, como a do livro A Máquina do Tempo, de H.G. Wells, a famosa cabine TARDIS (Time And Relative Dimensions In Space) do seriado Dr. Who e claro que não podemos esquecer do DeLorean Máquina do Tempo do Doutor Brown, da nossa amada trilogia Back to the Future (De Volta para o Futuro, Brasil/Regresso ao Futuro, Portugal). Ao embarcar no carro, Marty McFly viaja ao passado (1955) e quase se torna namorado da própria mãe, realizando o Complexo de Édipo!


E aí que entra a dicotomia sobre a viagem no tempo: se fosse possível viajar pelo tempo, para onde você iria? De volta para o futuro ou de volta para o passado? Que decisão complicada, não? Ainda mais se você tivesse apenas uma alternativa. Muitos ficam nesta dualidade mas aqui neste texto vamos discutir sobre o que talvez o homem tanto almeja: controlar o fluxo do tempo, o espaço-tempo continuum e ter a oportunidade de viver uma segunda chance!


Em Busca do Vale Encantado da Segunda Chance!

Carros, máquinas, o que sejam, simplesmente às vezes as coisas não funcionam quando a gente mais precisa. É sempre assim! No clássico (e grotesco) filme de 1986 A Mosca (Fly), de David Cronenberg, o cientista Seth Brundie, vivido por Jeff Goldblum (que estava na lista cotado para viver o Doc Brown, leia sobre isso neste artigo que escrevemos), entra na cabine de teletransporte e, sem perceber, uma mosca entra junto com ele. Durante o processo o cientista acaba se fundindo geneticamente ao inseto e se transforma num amalgama assustador.

Máquinas do Tempo podem ser objetos de dicotomia, se tornam um sonho ou um pesadelo. No cinema,  contemporâneo da interpretação dos sonhos de Freud, são usadas ao lado de narrativas fantásticas, mas nem sempre, necessariamente, eles precisam utilizar deste artifício (dessa máquina).

Vejamos alguns exemplos:


No filme, com roteiro de Harold Ramis (ator de Os Caça-Fantasmas/Ghostbusters, 1984), com Bill Murray (que também participou do clássico filme Os Caça-Fantasmas) no papel principal, Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993), vemos Phil Connors (sobrenome parecido com o do personagem John Connor - filho de Sarah Connor - de outro clássico da viagem no tempo, O Exterminador do Futuro/ Terminator, 1984), na qual este personagem fica preso num looping do tempo, no feriado do Dia da Marmota. Todo dia quando ele acorda é o mesmo dia que ele viveu anteriormente. Uma chance de reviver e corrigir os erros do passado. Quem não queria isso? Poder voltar e arrumar algo que fez ou deu errado. É realmente uma incrível segunda chance, não é mesmo? Porém, ele não avança para o dia seguinte e vive apenas aquele "dia da marmota". Isso acaba virando um pesadelo! Entretanto ele acaba percebendo algumas coisas que antes ele não prestava atenção, de tantas vezes que ele viveu aquele mesmo dia repetidas vezes. Isso fez ele se libertar do pesadelo de reviver o mesmo dia, finalmente então a segunda chance se fez valer.


No romântico Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time, 1980), Christopher Reeve, atraído por uma mulher numa fotografia – a deslumbrante Jane Seymour –, concentra-se tanto que, de repente, só com a força da mente, vai parar na época dela, no passado.


No filme Peggy Sue, de Francis Ford Coppola (só pra constar, ele também dirigiu O Poderoso Chefão que citei anteriormente), o passado também espera a personagem de Kathleen Turner. E então pode ser que, na verdade, homens e mulheres, ao viajar no tempo, busquem corrigir suas vidas, para atingir a tal segunda chance.


Temos novamente Chistopher Reeve, no papel que consagrou sua carreira e vida, em Superman – O Filme, a versão de Richard Donner, de 1978, como o super-herói, usa todo seu poder para reverter a rotação da Terra e, fazendo o tempo retornar, ele devolve à vida a mulher amada que morreu.

Podemos citar vários outros exemplos cinematográficos de "segunda chance", isso porque não abri espaço para citar sobre algumas das segundas chances presentes nas histórias em quadrinhos, que existem também aos montes.


Lembram-se daquela cena clássica do tiroteio dentro do restaurante em O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972)? Com certeza "eles" dariam tudo para não estar naquele dia, naquela hora, se é que você entendeu a referência...


Lembra-se do Herbie? Aquele Fusquinha valente com listras azul, branco, vermelho e o número 53, o famoso carro de corrida do clássico filme Disney, Se Meu Fusca Falasse (The Love Bug, 1969). Seu piloto, Jim Douglas (interpretado pelo saudoso Dean Jones) também poderia requerer ter tido uma segunda chance pois, já quase no último ato do filme, ele quase acabou não conseguindo impedir o "suicídio" do próprio carro! Sim, se arrependimento matasse, ele faria de tudo para voltar atrás e impedir do Herbie sair correndo "chorando" após ter sido abandonado pelo seu dono – o que aconteceu foi que o Herbie havia perdido uma corrida importante e logo depois desta corrida Jim Douglas já comprou uma Lamborghini vermelha... O Herbie não aguentou este tipo de rejeição e saiu correndo triste pela traição... Jim descobriu que não era ele quem vencia as corridas e sim o próprio Fusca.

"Você quer se tornar um homem velho, cheio de arrependimento,
esperando pra morrer sozinho?"  A Origem (Inception, 2010)
To be continue...

E este é o grande desafio. O tempo, inexorável, segue seu curso (como uma flecha) e leva à morte – fim de tudo, ou seria a transformação? O cinema, como máquina, permite à imagem permanecer eternizada, mas, nessa imagem gravada para todo o sempre, está a negação da vida. Na ficção, as máquinas do tempo permitem corrigir, adiar o inevitável. Por isso, serão sempre atraentes.

Ao infinito e além futuro!

E sobre o futuro?! Já que está estamos falando sobre a dicotomia passado e futuro, vamos falar sobre o futuro... Ops! Parafraseando o próprio Doutor Brown... "não podemos querer saber demais sobre o próprio futuro"   OU NÃO... Hehehe! O ser humano, curioso por natureza, sempre pensou sobre como seria o amanhã, como seriam as viagens espaciais, como seriam encontrar seres mais avançados que nós, como seria ver o progresso da humanidade...


Séries animadas como Os Jetsons e Futurama também são bons exemplos de como se imaginar um futuro gostoso de viver, repleto de tecnologias, algumas estranhas mas a maioria "do bem". Talvez o segredo para uma boa ficção que mostra o futuro é a possibilidade de você deslumbrar um futuro próximo, algo em torno de 30 a 60 anos no máximo a sua frente, assim você sonha na vida real, em chegar vivo até aquele período... Back to the Future Part 2 até hoje nos deixa com vontade de ver carros voadores e hoverboards.


Claro que nem todo mundo pensa em mudar o passado, pois existem pessoas bem conformadas com as escolhas que fizeram... Pessoas que acreditam que se mudar o passado, deixariam de ser quem são hoje (as experiências vividas não tem como serem desfeitas, se forem, deixarão de ser quem são). Por isso, facilmente elas iriam preferir ir para o futuro...

Talvez sejam pessoas que queiram ver como vão se sair na carreira, ver com quem vão casar, ver o futuro dos netos, ver tecnologias do futuro – para poder trazer para o presente e se beneficiar de quem não tem (ainda) – ver o futuro da humanidade como num todo... E aí com este "conhecimento do futuro" poderia, ou não, traçar novas segundas chances.

Falando em se beneficiar, quem não gostaria de ter um livro com resultados esportivos do futuro para ganhar uma graninha, heim?!

"Almanaque de Esportes? Leitura nada recreativa!" - Doc Brown

E você, caro leitor amigo do tempo, já pensou em ir de volta para o passado e tentar essa tal segunda chance? Escreva aí para nós através dos comentários. Se curtiu, compartilha o artigo com seus amigos e familiares. Não deixe de acompanhar a gente em todas nossas redes sociais (Instagram | Facebook | YouTube).

Como sempre; nos vemos no futuro...

Este texto foi inspirado e expandido a partir do original, do jornal O Estado de S. Paulo

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