sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A história da capa de Didi Volta para o Futuro - por Gustavo Machado


Quem é brasileiro e gosta de De Volta para o Futuro certamente já ouviu falar nessa obra de arte da indústria dos quadrinhos brasileiros. Virou um clássico instantâneo e foi vencedor de 7 prêmios na época. Foi uma combinação de talentos sem tamanho.  O roteiro, a arte, a coloração... TUDO colaborou para que a sátira "Didi Volta para o Futuro" (baseado nos personagens da trupe Os Trapalhões) ganhasse o destaque merecido.

É uma HQ (história em quadrinho/banda desenhada/comic book) muito cobiçada nos dias de hoje. Eu, que vos escrevo aqui, tenho a minha edição que ganhei em 1991 pelo meu pai Oscar, porém, como eu a utilizava como um tipo de "brinquedo" (pois era a única coisa que tinha na época mais próxima como um item do filme de colecionável) a minha edição está "bem usada", para não dizer judiada, com algumas páginas amassadas, etc...

Quem não tem quer ter e quem tem não vende!

Nós já comentamos sobre esta revista num artigo escrito em 8 de junho de 2012 e, por coincidência, hoje, enquanto escrevo este artigo, também é uma sexta-feira (6 anos depois)!

Abaixo está um texto escrito pelo capista (o artista que desenhou a capa), Gustavo Machado, em um post na sua rede social do Facebook, publicado no dia 06/09/2018. Ele descreve e explica um pouco do processo de criação da icônica capa desta HQ - Didi Volta para o Futuro.

Confira abaixo:


"Fui convidado pelo Bira Dantas a escolher 10 capas de revistas em quadrinhos que me marcaram durante a vida. Devo acrescentar que nunca adquiri um gibi apenas pela capa, mas também pelo conteúdo, principalmente se gostava dos desenhos das HQs a primeira vista.
Certo dia, Marcelo Cassaro, que além de desenhista também era um dos argumentistas mais prolíficos da nossa equipe no setor de quadrinhos infantojuvenis na Abril Jovem, criou e apresentou uma adaptação para HQ do filme “De Volta Para o Futuro”. Era uma história pensada para a revista “As Aventura dos Trapalhões”, a edição mensal dos Trapalhões em quadrinhos, focada em sátiras de sucessos do cinema e clássicos da literatura, e nosso grande sucesso de vendas.
Primaggio Mantovi, nosso editor na época, gostou tanto da versão satírica de Cassaro, que encomendou as continuações referentes às partes dois e três, completando a trilogia de “De Volta Para o Futuro”.
A surpresa maior seria saber que a trilogia em quadrinhos do Cassaro se tornaria o roteiro da nossa primeira graphic novel, “Didi Volta para o Futuro”, com o genial trocadilho do título anunciando ser uma aventura dos Trapalhões e seu líder, Didi Mocó, alter ego de Renato Aragão.
Fui designado para dar partida nos desenhos da edição especial, levando três meses para conceber o visual das suas 53 páginas.
Uma equipe de talentosos artistas do nosso setor foi convocada por Primaggio para fazer parte da produção, com destaque para Napoleão Figueiredo, o responsável pela maravilhosa colorização de todo o álbum de quadrinhos.
A criação da capa da edição (vide imagem) foi a última arte que desenhei para o projeto, ganhando vida e destaque nas cores feitas em ecoline pelo mestre Napoleão.
Nossa “Grafic Trapa”, como foi carinhosamente batizada, começou a receber uma sucessão de premiações e troféus, como: Melhor Roteiro e Melhor Desenho (XVII Prêmio Abril de Jornalismo), Melhor Lançamento (8º Prêmio Angelo Agostini), Melhor Revista Infantil (Troféu HQ Mix - 1991), e Melhor Roteirista, Melhor Desenhista e Melhor Graphic (4º Encontro Nacional de HQ - Araxá-MG), chegando ao total de sete em apenas um ano. Essa consagração daria a oportunidade para que fosse relançada uma nova tiragem um ano depois, em junho de 1992. Desta vez, com pompa e circunstância, estampando um selo colado na capa com os dizeres “7 vezes premiada!”, com a relação dos prêmios.
Com o passar dos anos, para satisfação dos envolvidos em sua produção, “Didi Volta Pra o Futuro” ganharia o status de um dos quadrinhos mais queridos e cultuados da sua época, marcado indelevelmente na memória afetiva de uma geração de leitores.

(Extraído de "Memórias Cronológicas e Afetivas de um Desenhista de Quadrinhos")"
por Gustavo Machado

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